A COVID-19 pode reduzir a qualidade dos gametas?

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    Por ainda se tratar de uma doença recente, pouco se pode afirmar sobre a relação entre a Covic-19 e a fertilidade. A grande dúvida relacionada a este tema, a qual especialistas buscam desvendar por meio de pesquisas científicas, é se a doença pode reduzir a qualidade dos gametas em homens e mulheres. 

    Ainda que o Novo Coronavírus esteja entre nós há mais de um ano, os estudos são recentes em relação à saúde reprodutiva, e muitos deles ainda seguem em andamento. Para que você fique atualizado em relação ao assunto, trouxemos no artigo de hoje as principais informações que foram apresentadas por pesquisas até agora sobre a Covid-19 e as chances que a doença apresenta de reduzir a qualidade dos gametas masculinos e femininos. Confira!

    Antes de mais nada é bom entender que os estudos sobre o tema estão em andamento

    Os estudos que buscam a ação do vírus da Covid-19 na qualidade dos gametas ainda são pouco esclarecedores, afinal, é preciso tempo para colher informações verídicas. Assim como no início da pandemia, dúvidas em relação ao tratamento de reprodução assistida não foram totalmente explicadas até o momento. 

    Por motivos como estes, as pesquisas científicas são fundamentais, trazendo dados conclusivos que possam preparar profissionais da melhor maneira para lidar não só com a doença, mas também com a infertilidade.

    4 informações até aqui sobre o tema 

    Sabendo que a maioria das pesquisas ainda não foram finalizadas, separamos algumas informações esclarecidas sobre o tema até o momento. A seguir, confira 4 dados que foram constatados em estudos relacionados a Covid-19 e a fertilidade.

    1. Casos graves da covid-19 podem afetar a qualidade dos gametas masculinos

    Um estudo recentemente publicado na revista científica Reproduction sugere que a Covid-19 pode afetar a qualidade dos gametas masculinos, reduzindo a fertilidade entre os homens. O relato foi a primeira evidência direta até o momento envolvendo a doença e a qualidade dos gametas. 

    Segundo especialistas, a infecção pelo Novo Coronavírus pode afetar o sêmen, prejudicando a fertilidade pela morte dos espermatozoides e também pela inflamação que causa estresse oxidativo nas células.

    Ainda que os efeitos possam melhorar com o tempo, observou-se a permanência significativa e anormal em pessoas infectadas com a Covid-19 que ficaram em estado grave, relacionando as mudanças na qualidade dos gametas com a severidade da doença.

    Outro artigo, dessa vez publicado na revista médica The Lancet, sugeriu que o vírus pode afetar o processo de fabricação dos gametas ao identificar o menor número de espermatozoides e aumento de células que indicam processos infecciosos no sêmen de homens infectados pela Covid-19.

    2. O vírus não afeta a qualidade dos gametas de mulheres grávidas e infectadas por Covid-19

    Uma pesquisa realizada por pesquisadores das clínicas Eugin, em Barcelona, concluiu que os óvulos de mulheres gestantes com Covid-19 não podem ser infectados pelo Novo Coronavírus. A descoberta revelou que a infecção vertical mãe-feto não ocorria por meio dos óvulos.

    Com essa informação, os pesquisadores espanhóis trouxeram uma nova perspectiva para a retomada de tratamentos de fertilidade in vitro (FIV), apesar da pandemia. Assim, os óvulos podem ser coletados e congelados, visto que não acontece a infecção vertical.

    3. Não há motivos para atrasar tratamentos de reprodução assistida

    Após aconselhar a interrupção em tratamentos de fertilidade no último ano, diante da falta de informações a respeito da doença até aquele momento, a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) informa que essa ação já não é mais necessária.

    De acordo com a análise de diferentes estudos em andamento, a entidade avalia que não há mais razão para atrasar as tentativas de gravidez ou tratamentos para reprodução assistida, desde que a clínica de reprodução siga os protocolos de higiene indicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de modo a evitar a propagação da doença.

    4. A covid-19 não causa impacto na fertilidade feminina

    Em relação aos estudos analisados até o momento, nenhum demonstrou que o vírus da Covid-19 pode causar impacto na qualidade dos gametas femininos e, consequentemente, na fertilidade da mulher. 

    O que se sabe até então é que o Novo Coronavírus não pode ser identificado no sistema reprodutor da mulher, assim como na secreção, líquido amniótico e do peritônio. Dessa forma, não é possível afirmar que a doença seja prejudicial para a fertilidade.

    Vacina contra a doença não afeta a qualidade dos gametas

    Há pouco tempo algumas informações surgiram alegando que as vacinas desenvolvidas para a Covid-19 apresentaram impacto na fertilidade, em especial a produzida pelo laboratório Pfizer.

    Contudo, especialistas explicaram que essa teoria não passa de especulações infundadas que foram espalhadas pelos meios de comunicação informais. Afinal, segundo estudiosos, não existem mecanismos biológicos em nenhuma das vacinas que sejam capazes de afetar a fertilidade.

    A imunização é responsável por ativar o sistema imunológico para a produção de anticorpos que auxiliam no combate ao vírus, tornando o organismo capaz de reconhecê-lo caso entre em contato novamente com o corpo.

    O congelamento de gametas é sempre uma opção

    Considerando que a pandemia já dura mais de um ano e a vacinação ainda segue em ritmo lento, o congelamento dos gametas se tornou uma excelente alternativa para casais que desejam uma gestação no futuro, preservando a fertilidade. Isso porque, como vimos, o vírus não é capaz de infectar óvulos ou embriões.

    Congelamento de gametas masculinos

    O congelamento do sêmen contribui para garantir a qualidade dos gametas masculinos. Por isso, atualmente esse procedimento não é considerado só para homens que desejam fazer a vasectomia, tratamentos para câncer e motivos variados, mas também como forma de assegurar a possibilidade de uma futura gestação.

    Congelamento de gametas femininos

    O congelamento de gametas femininos pode ser realizado naturalmente, sem riscos de infecção por meio do vírus. Dessa forma, as mulheres podem dar prosseguimento a esse tipo de procedimento mesmo durante a pandemia. 

    Para sua realização, é preciso realizar exames de rotina que envolvem ultrassom e dosagem hormonal. Após avaliação, o especialista em reprodução humana indica a fertilização in vitro (FIV) caso existam condições.

    Ao ser aprovada nos testes preliminares, a mulher é submetida ao processo de estimulação ovariana com hormônios para maior produção de óvulos, sendo monitorada pelo especialista. No período correto, realiza-se a aspiração do maior número de óvulos possíveis para o congelamento, garantindo assim a segurança e qualidade dos gametas.

    Ainda que a maior parte dos estudos esteja em andamento, podemos afirmar que a Covid-19 pode reduzir a qualidade dos gametas masculinos. Contudo, é preciso tempo para entender se os efeitos são temporários ou não, fator que aumenta a indicação para o congelamento dos gametas. 

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