O que é congelar óvulos?

Nas últimas décadas, ocorreu uma mudança no estilo de vida das mulheres, com relação a vida profissional e suas escolhas pessoais, na constituição familiar. Tal evolução reflete nas taxas de gravidez e nascimento e nas características da maternidade. Portanto, para atender a nova demanda, a medicina também avançou e desenvolveu técnicas cada vez mais apurada para preservação dos gametas femininos (congelamento de óvulos).

Houve, então, uma inversão prioridades, de acordo com idade das mulheres, e, quando desejam ter filhos, elas optam por iniciar esse processo após os 30 anos, ou mais. Parece que a juventude foi prolongada. Se, antes, com vinte e poucos anos, homens e mulheres já estavam casados e com filhos sob seus cuidados, hoje esta lógica parece não caber mais, sobretudo nos grandes centros urbanos.

Porém, tanto homens quanto mulheres tem limitações de idade para procriar, apesar do considerável avanço no estilo de vida e cuidados com a saúde. Após os 35 anos, a mulher observa uma queda na capacidade reprodutiva, o que dificulta a gravidez, com queda nas taxas de concepção espontânea. E o maior motivo: seus ovários estão envelhecendo.

Pensando numa melhor forma de manter esse novo estilo de vida e minimizar as perdas com relação ao tempo de vida reprodutiva que o congelamento de óvulos se tornou um grande aliado das mulheres. A opção de congelar óvulos se tornou tão importante, que além de fazer parte de uma escolha feminina pelo melhor momento de engravidar, tem atendido também outras necessidades. Entenda!

Quando o congelamento de óvulos é indicado? 

O congelamento dos óvulos pode ser indicado em diversas situações:

  • para mulheres que desejam engravidar após 35 anos (ideal seria realizar o congelamento antes dessa idade);
  • para mulheres que tem casos de menopausa precoce em sua família;
  • para mulheres que enfrentarão radioterapia, quimioterapia ou cirurgias ovarianas;
  • para mulheres que, durante o tratamento de FIV, obtiveram óvulos em excesso.

O que é congelar óvulos?

A vitrificação, como também é conhecida, é uma técnica que, de acordo com Roberto Antunes, da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, tem a capacidade de manter a qualidade do óvulo, com taxas altas de sobrevivência após o descongelamento, independente de quanto tempo fique congelado.

Mas, nem sempre foi assim. Antes eram utilizados processos de congelamento, que permitia que a água passasse por dentro do óvulo, cristalizando-o e perdendo o material celular. Hoje, “a água passa de líquido para gel rapidamente, sem formar cristais”, explica Antunes.

Antes de dar início ao processo, a mulher realiza uma consulta com especialista em reprodução humana para avaliação da paciente, possíveis doenças ou cirurgias prévias, assim como a história familiar, e solicita uma série de exames, que irão rastrear a reserva do ovário (capacidade de obter óvulos para congelamento). 

Estimulação hormonal

Após a consulta e realização dos exames, se estiver tudo em ordem, a mulher é submetida a uma estimulação hormonal – a aplicação da medicação pode ser feita em sua própria casa – para aumentar o número de óvulos maduros produzidos em um mesmo ciclo. Normalmente, as mulheres produzem apenas um óvulo maduro por ciclo menstrual, que é o óvulo liberado na ovulação. Esse processo dura por volta de duas semanas.

O estímulo dos ovários é feito com o hormônio gonadotrofina (o mesmo que é produzido para o ciclo menstrual) que age sobre os folículos para o amadurecimento e liberação dos óvulos. Durante o uso desse hormônio, deve ser realizado uma monitorização por ultrassonografia, a cada dois dias, para acompanhar o crescimento dos folículos e a resposta ovariana. 

Efeitos colaterais da estimulação hormonal por gonadotrofina

Assim como todas as medicações, o uso desses hormônios, pode levar a alguns efeitos colaterais:  

  • retenção de líquidos;
  • dor abdominal;
  • cefaléia (dor de cabeça);
  • síndrome de hiperestimulação ovariana (produção excessiva de óvulos);
  • e reações adversas aos componentes da medicacão.

 

Muitos desses sintomas são parecidos com aqueles que ocorrem na tensão pré-menstrual e tendem a acabar no final dá estimulação hormonal, sendo os de maior intensidade, mais raros de acontecer. Por outro lado, vale ressaltar que com o acompanhamento médico, essas possíveis reações podem ser resolvidas.

Captação dos óvulos

Caso a estimulação ovariana transcorra bem, passa-se à fase de captação dos óvulos por meio de aspiração dos folículos.

O procedimento é feito em menos de uma hora, com uma agulha fina por via vaginal, guiada por meio de ultrassonografia transvaginal, sendo aspirado cada um dos folículos para captação de todos os óvulos produzidos naquele ciclo. Todo o procedimento é feito sob anestesia (sedação por via venosa). 

Os riscos desse procedimento são baixíssimos, mas os principais são:

  • a dificuldade em estancar o sangramento ovariano e
  • a agulha atingir ou passar por alguma estrutura dentro da pelve.

Métodos de congelamento

Existem dois métodos principais: o congelamento lento e a vitrificação. 

No modo lento é adicionada uma substância denominada crioprotetor e a temperatura vai, aos poucos, diminuindo. O crioprotetor reduz a formação dos cristais nos óvulos. 

Por outro lado, na vitrificação, o congelamento é instantâneo, a possibilidade de se formar cristais é menor e a taxa de sobrevivência do óvulo após o descongelamento é maior.

Principais dúvidas relativas ao congelamento de óvulos

Quanto custa congelar óvulos?

Os custos variam entre R$ 15.000,00 e R$ 20.000,00, incluindo medicação para estimulação.

Por quanto tempo meus óvulos podem ficar congelados?

Não há limite de tempo para que os óvulos fiquem congelados. Quando o procedimento é bem feito, independente de quantos anos fique conservado, ele preservará as características.

Quantos óvulos é possível congelar?

Podem ser congelados quantos forem produzidos. Mas, uma quantidade em que teremos maior taxa de gravidez são: 20-30 óvulos congelados. Por outro lado, existem pacientes que produzem um número até maior.

Posso descartar os óvulos congelados?

Sim. Não há problemas, uma vez que o próprio corpo feminino faz isso todos os meses. Uma segunda opção, para os óvulos que não serão mais utilizados, é a doação (mas apenas para óvulos congelados com menos 35 anos). 

Os óvulos congelados podem ser doados para alguém da minha família?

Não. A doação é feita de forma anônima e extremamente sigilosa. Em outras palavras, nem a paciente doadora e nem a paciente receptora dos óvulos se conhecem. 

Quais são as diferenças na gestação de um óvulo fresco para a de um óvulo congelado? 

Nenhuma. Uma vez que é descongelado, e sobreviveu ao processo, o óvulo volta à sua condição original.

Existe idade limite para congelar os óvulos? 

Não. 

Contudo, a mulher que congela os óvulos após os 38 anos deve estar ciente de que existe maior risco de captar menos óvulos, assim como, para mulheres acima de 40 anos, ainda se associa a uma menor taxa de formação de embriões e maior taxa de embriões de qualidade inadequada. 

Caso a mulher tenha mais de 50 anos e queira transferir embriões oriundos dos seus óvulos, que foram congelados previamente, precisará da autorização de um especialista, segundo regulamentacão do Conselho Federal de Medicina.

 

Após compreender mais a fundo o que é congelar óvulos, será muito importante que o casal também fique atento ao que pode dar errado no tratamento de fertilidade. Entenda.

Equipe Médica Revisora do Texto

Dr. Ricardo Marinho, Dra. Hérica Mendonça, Dra. Leci Amorim, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.

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