Você sabe o que é a Oncofertilidade? Conheça essa especialidade na área do câncer

A Oncofertilidade é a especialidade médica que surgiu com o objetivo de manter a fertilidade de pacientes com câncer. A radioterapia, quimioterapia e cirurgias utilizadas no tratamento do câncer podem, muitas vezes, levar à infertilidade pela destruição de células dos ovários e testículos, por lesões ou pela retirada do útero. Não havendo dúvidas da necessidade desses tratamentos para a sobrevivência dos pacientes, a preservação da chance de engravidar futuramente melhora a qualidade de vida pós-câncer.

Continue a ler para entender quais os métodos que essa especialidade utiliza para tornar isso possível.

Bancos de gametas

Se há tempo suficiente para a coleta de material, o congelamento e o armazenamento de óvulos e sêmen é a melhor alternativa. A coleta de óvulos pode demorar de duas a seis semanas, já que é necessário estimular a ovulação por meio de hormônios. Já a coleta de esperma é mais rápida e simples, a menos que a ejaculação não seja possível. Além destas opções, quando o paciente já tem um parceiro definido, a fecundação pode ser realizada e os embriões congelados, aumentando as chances de sucesso de gestação no futuro.

Doação de gametas

Caso a preservação de gametas ou embriões não tenha sido feita, ou a gestação a partir do material congelado não tenha sido bem sucedida, é possível a utilização de óvulos e espermatozoides doados. Poder ser feita uma fertilização in vitro ou mesmo uma inseminação intrauterina, a depender de qual dos parceiros foi afetado pelo tratamento.

Útero de Substituição

Se o útero sofrer danos durante o tratamento do câncer, a mulher não poderá mais ter uma gestação a termo. Com a fecundação in vitro de seus óvulos pelos espermatozoides de seu parceiro, ela poderá ter seu bebê por meio de um útero de substituição. Esse método é permitido no Brasil entre parentes de até quarto grau desde que não envolva transações comerciais.

Situações especiais

Algumas situações requerem atenção especial por terem restrições quanto aos métodos estabelecidos. É o caso de crianças que, não tendo passado pela puberdade, não produzem gametas,  e o de alguns pacientes adultos que devem iniciar o tratamento imediatamente após o diagnóstico para aumentar a chance de sobrevivência.

Crianças

A produção de gametas só se inicia na puberdade, sendo impossível a coleta de óvulos ou espermatozoides em crianças. Dessa forma, as possibilidades são a proteção genital e pélvica por meios físicos como o uso de mantas de chumbo durante a radioterapia e o congelamento de tecido ovariano, embora seja um método ainda experimental.

Tratamento imediato

Se o tratamento do câncer precisa ser iniciado imediatamente, e não há tempo para estímulo e maturação de óvulos, as medidas de preservação de fertilidade nas mulheres são semelhantes às das crianças. Além da proteção física do ovário, é possível realizar o congelamento e a preservação de fragmentos de tecido ovariano para um futuro retransplante, técnica experimental que já resultou em cerca de 40 nascimentos no mundo e  que tem se tornado promissora. A cultura deste tecido ovariano em laboratório para obtenção de óvulos maduros está em desenvolvimento e não foi ainda capaz de produzir gestações em humanos.

Também podem ser utilizados hormônios injetáveis (agonistas gonadotrópicos) que reduzem o fluxo sanguíneo para os ovários durante o tratamento quimioterápico e que têm mostrado bons resultados em alguns estudos.

Graças aos avanços científicos, o diagnóstico de câncer não mais se atrela a uma alta mortalidade e sim, se associa a um tratamento crônico que visa preservar a vida e a qualidade de vida do paciente. Por isso, ao receber o diagnóstico, discuta com seus médicos o tema de preservação da fertilidade antes mesmo de iniciar qualquer tratamento, de modo a garantir o sonho de ter filhos no futuro.

A Oncofertilidade é uma especialidade recente que já conseguiu gerar bons resultados para um grande número de pacientes com câncer, e tem perspectivas promissoras para os próximos anos.

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Entre em contato conosco!

Equipe Médica Revisora do Texto

Dr. Ricardo Marinho, Dra. Hérica Mendonça, Dra. Leci Amorim, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.

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