O uso de antidepressivos e o risco de autismo na gravidez

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    Um estudo publicado no Jornal Associação Médica Americana (Journal of the American Medical Association – JAMA) criou controvérsia ao afirmar que o uso de antidepressivos, em especial, os do tipo inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), no segundo e terceiro trimestre de gestação, estão associados a um risco 87% maior do bebê vir a ser diagnosticado com autismo.

    Mas afinal, o que isso significa? Em que exatamente consiste o autismo? Mulheres grávidas deveriam parar de tomar antidepressivos? Há algum tipo de medicamento ou dosagem que seja seguro? Vamos responder tudo isso aqui. Confira!

    O que é o autismo?

    O termo autismo é usado para descrever um grupo de transtornos dentro do espectro autista. O quadro se caracteriza por dificuldades de interação social e comunicação, comportamentos repetitivos e interesses restritos a temas específicos.

    É importante destacar o caráter espectral do transtorno autista, o que significa que crianças autistas podem ter desde um quadro leve que interfere pouco em seu convívio social a casos graves que afetam imensamente o dia a dia da criança e da família.

    O que causa o autismo?

    A causa do autismo ainda não está definida, mas sabe-se que esse transtorno tem uma base genética e ambiental, sendo influenciado por diversos fatores.

    O que o autismo tem a ver com a depressão materna?

    Previamente, já estava estabelecido que grávidas com depressão apresentavam um risco 20% maior de terem filhos com autismo do que grávidas sem depressão. O estudo publicado no JAMA, no entanto, trouxe a notícia que grávidas em uso de antidepressivos apresentam um risco 87% maior de terem uma criança autista.

    Isso significa que, se em um grupo de crianças cuja mães não tomaram antidepressivos durante a gravidez, 100 crianças forem diagnosticadas com autismo, em um grupo com o mesmo número de crianças cujas mães tomaram antidepressivos durante a gravidez, 187 crianças (quase o dobro) seriam autistas.

    Se o antidepressivo for do tipo ISRS (fluoxetina, citalopram, escitalopram, paroxetina, sertralina e fluvoxamina), o risco é ainda maior: de 117% (uma proporção de 217 crianças autistas x 100 crianças autistas).

    No entanto, o próprio artigo levanta a necessidade de mais pesquisas para esclarecer qual é o real risco de autismo associado a cada tipo e dose de antidepressivo.

    Como os antidepressivos podem causar autismo?

    Como os antidepressivos agem sobre a expressão de neurotransmissores no sistema nervoso central, em especial a serotonina, é plausível assumir que eles atuariam também sobre o cérebro do bebê ainda dentro do útero. Como a serotonina é importante para o estabelecimento das conexões neurais durante a formação do cérebro no segundo e no terceiro trimestre, o antidepressivo poderia atrapalhar esse processo.

    Isso significa que grávidas não devem tomar antidepressivos?

    Não, mas o uso deve ser feito com cautela. O ideal é que o uso de medicamentos antidepressivos, não só em grávidas mas em toda a população, seja feito de forma criteriosa e como última opção terapêutica. Ou seja, antes do uso de medicamentos, é importante tratar a depressão com medidas conservadoras, como mudanças comportamentais e psicoterapia.

    Apesar disso, é necessário também reconhecer a importância do medicamento para os casos que não são controlados de forma conservadora, mesmo que se trate de grávidas. O tratamento da depressão irá reduzir o risco de depressão pós-parto e permitirá que a mulher seja capaz de oferecer os cuidados necessários ao bebê.

    Assim, quando bem indicado, o antidepressivo salva a vida tanto da mulher quanto do bebê. Nesses casos, no entanto, pode-se optar por antidepressivos que não sejam da classe dos ISRS em um primeiro momento, para tentar reduzir o potencial risco de autismo.

    Ainda tem dúvidas sobre o tema? Deixe um comentário!

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