Guia de Congelamento de Óvulos: tudo que você precisa saber sobre congelar óvulos

Muitas mulheres tem o sonho de engravidar no futuro, mas querem se estabilizar profissionalmente e realizar outros planos antes disso. Entretanto, com  o avançar da idade o número e a qualidade dos óvulos diminui e as chances de gravidez também. Uma solução, procurada cada vez mais, é fazer o congelamento de óvulos.

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O que é congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos consiste em um procedimento onde os óvulos da mulher são captados e submetidos ao processo de vitrificação. Eles são colocados em nitrogênio líquido, substância que reduz a temperatura a 196 graus negativos em poucos minutos, e então armazenados.

Preparo 

Antes do procedimento, a paciente é  submetida a uma série de exames para avaliar sua saúde e sua reserva ovariana. Feito isso, é dado início ao tratamento de indução da ovulação.

Naturalmente, nosso ovário produz e libera um óvulo por mês. No ciclo de indução da ovulação para congelamento de óvulos, estimulamos os ovários para que vários folículos cresçam, produzindo assim um maior número de óvulos em um só ciclo.

Para isso, são utilizados medicamentos injetáveis, as gonadotrofinas, que são aplicadas diariamente por via subcutânea durante aproximadamente 10 a 12 dias. Injeções subcutâneas são simples de aplicar e tem pouco desconforto, de forma que a própria paciente pode fazer as aplicações.

Captação dos óvulos

A coleta dos óvulos é realizada em torno do 12º dia. A paciente recebe uma anestesia chamada sedação (uma anestesia superficial para evitar dor no procedimento) e por meio de uma agulha acoplada a um ultrassom endovaginal, os óvulos são coletados.

O embriologista avalia todos os óvulos captados, e aqueles que estão maduros (portanto tem capacidade de posteriormente ser fertilizados) são congelados. Quando a mulher decidir engravidar, então, os óvulos podem ser descongelados para uma Fertilização in Vitro (FIV). 

Para quem o congelamento de óvulos é indicado?

O congelamento de óvulos está indicado para mulheres que não podem, ou não desejam, uma gravidez no momento atual ou em um futuro próximo.

Quanto mais jovem for realizado o congelamento, melhor a qualidade dos óvulos coletados e maiores as chances de uma gravidez no futuro.

Idealmente, indica-se que o tratamento seja realizado até os 35 anos. Isso não significa que não seja possível o congelamento após esta idade, mas será importante esclarecer as chances de gravidez no futuro. 

Uma outra situação em que o congelamento de óvulos está indicado, é para pacientes oncológicas.

Ao diagnóstico de um câncer e indicação de tratamento, deve-se considerar a possibilidade de preservação da fertilidade através do congelamento de óvulos, pois a radioterapia e a quimioterapia podem prejudicar a reserva ovariana e a fertilidade futura da mulher.

Em alguns casos, após a quimioterapia, a paciente pode evoluir inclusive, para um quadro de menopausa precoce. 

O congelamento também está indicado para pacientes que precisam remover os ovários por doenças benignas ou que serão submetidas a tratamentos de doenças auto-imunes que possam comprometer a reserva ovariana. 

O que eu preciso saber antes de fazer o congelamento de óvulos?

Diferença de congelamento embrionário e congelamento de óvulos 

Antes de fazer o procedimento de congelamento de óvulos é necessário compreender a diferença entre congelar óvulos e embriões.

No congelamento de óvulos, estamos preservando o gameta feminino, enquanto que no congelamento de embriões, preserva-se o óvulo já fecundado pelo espermatozóide, através da fertilização in vitro. 

Atualmente, a técnica de congelamento de óvulos está muito próxima da técnica de congelamento de embriões em termos de resultados, sendo que o congelamento de óvulos dá mais autonomia reprodutiva para a paciente. 

No congelamento de óvulos, a fertilização in vitro só será realizada quando a mulher decidir engravidar e solicitar o descongelamento. 

Prazo para manter os óvulos congelados

Os óvulos podem ser mantidos congelados por tempo indeterminado. É possível, inclusive, que a gravidez aconteça durante a menopausa, mas, após um preparo do útero através de hormônios. 

Entretanto, o Conselho Federal de Medicina aconselha que a fertilização in vitro seja realizada até os 50 anos, pois os riscos de complicações durante a gestação são altos em mulheres com a idade avançada, quando a gravidez é considerada de alto risco. 

Vale a pena fazer o tratamento?

Muitas mulheres se questionam se realmente vale a pena fazer o tratamento e cada caso precisa ser avaliado individualmente.

Por isso é imprescindível que você tenha um acompanhamento com um ginecologista de confiança, converse com ele sobre suas dúvidas e anseios para se decidir. 

É importante levar em consideração o seu desejo de ser mãe e entender as chances de engravidar caso você planeje fazer isso após os 40 anos:

Por exemplo, as chances de uma mulher que congelou os óvulos com 35 anos engravidar aos 40 permanece a mesma se ela tivesse de fato engravidado aos 35.

A probabilidade é de até 60% por tentativa de tratamento. Por outro lado, as chances de conseguir engravidar as 40, através da  fertilização in vitro e sem o congelamento de óvulos, é de apenas 20%.

Além disso, outra vantagem do congelamento de óvulos é que diminui a pressão de ter que correr contra o relógio biológico para conseguir ter um filho.

Por isso é necessário pensar em todos estes fatores, sempre priorizando o seu bem-estar. Não deixe de conversar com um médico especialista para entender o tratamento, seus benefícios e limitações. Isso te ajudará a tomar uma decisão. 

Quer saber mais?

Você tem alguma dúvida sobre congelamento de óvulos e métodos de reprodução assistida? Conta para a gente nos comentários, queremos te auxiliar a entender mais sobre cada um desses processos.  

Equipe Médica Revisora do Texto

Dr. Ricardo Marinho, Dra. Hérica Mendonça, Dra. Leci Amorim, Dr. Fábio Peixoto, Dra. Luciana Calazans e Dr. Leonardo.