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Perda gestacional de repetição e Síndrome Antifosfolípede
Textos Médicos 03/04/2014

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Cerca da metade das gravidezes pré-clínicas (apenas o b-hcg positivo, mas ainda sem o embrião visível ao ultrassom) e um quinto (20%) das gravidezes clinicamente diagnosticadas são perdidas. O aborto espontâneo é influenciado pela idade materna; entretanto, ele acontece em apenas 10% das mulheres aos 30 anos e aumenta para cerca de 40% aos 40 anos de idade.
O abortamento de repetição é definido como duas ou mais perdas gestacionais consecutivas no 1º trimestre (até 12 semanas) de gestação. Um pouco mais de 50% destas perdas do 1º trimestre são devido a anomalias cromossômicas dos embriões, que podem acontecer com qualquer gestante e por isso não se justifica uma investigação mais aprofundada. Entretanto, nos casos em que as perdas são repetitivas, uma avaliação mais detalhada torna-se necessária. Uma investigação multidisciplinar pode identificar um fator de risco especifico para o abortamento espontâneo na metade dos casos. Esta investigação inclui as causas genéticas, anatômicas, hormonais, imunológicas, hematológicas, infecciosas e até devido ao estilo de vida da paciente.
Cerca de 20% das mulheres com abortamento de repetição são diagnosticadas como tendo uma causa imunológica, sendo a síndrome anti-fosfolipede (SAFF) a mais comum. Estas pacientes tem as dosagens no sangue de anticardiolipina, anti-coagulante lúpico ou anti- b2 microglobulina positivos e tem uma historia de eventos tromboembólicos ou mau passado obstétrico, isto é, feto com crescimento restrito, eclampsia grave, morte fetal intrauterina ou abortamento de repetição.
Um estudo publicado no AM J Reprod Immunol , n° 69 em 2013, revisa e resume o conhecimento atual sobre a SAFF. Os autores apontam a SAFF como a alteração autoimune mais comum associada à perda gestacional de repetição (historia clinica e exames de sangue).
Existem vários mecanismos pelos quais a presença de anticorpos antifosfolipedes pode levar a perda da gravidez. Estes anticorpos ativam as plaquetas, células endoteliais entre outros, levando a um efeito pro coagulante que provocaria uma trombose arterial ou venosa. Eles também influenciam na invasão do trofoblasto, levando a uma anomalia placentária que poderia aumentar o risco da perda. Os anticorpos antifosfolipedes também ativam o sistema de complemento e induzem uma resposta pro-inflamatoria através deste mecanismo.
Diversos tratamentos que poderiam limitar esta atividade patogênica tem sido estudados. A combinação de heparina fracionada e aspirina tem demonstrado uma diminuição das taxas de perdas e um aumento das chances de sucesso dos nascidos vivos. Ambas as medicações tem efeito antitrombótico e imunomodulador e parece que a ação conjunta destes dois mecanismos tem um efeito benéfico.
Geralmente, os estudos usam  5.000 a 10.000 UI de heparina fracionada 2 vezes ao dia associada a 81 mg de aspirina. A heparina de baixo peso molecular, a terapia hormonal e o uso de imunoglobulina intravenosa também têm sido estudadas, mas os resultados ainda são conflitantes sobre sua eficácia.
A razão da maioria dos estudos serem conflitantes e às vezes até contraditórios é que há muita heterogeneidade entre os critérios de seleção das pacientes, kits diferentes de dosagem laboratorial e dosagem de hormônios diferentes. Além disso, os tratamentos são iniciados em épocas distintas da gravidez e o seguimento das gestantes também não e uniforme.
 



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